OVNIS ONTEM , NA BUSCA DA VERDADE

OVNIs / UFOs: Finalmente a prova definitiva?

O artigo foi publicado por Nick Pope, no site ufodigest.com:
Na coluna do mês passado, revelei que, embora a liberação dos arquivos OVNI do Ministério da Defesa – MoD (Reino Unido) tenha sido supostamente o final de um programa de cinco anos para a abertura e liberação de todos os arquivos, 18 arquivos OVNIs adicionais agora foram localizados e serão disponibilizados para o público em 2015. O jornal diário nacional do Reino Unido, Daily Star, publicou um artigo sobre isto em setembro, mas a história completa pode ser dita agora pela primeira vez.  Ela liga a liberação destes arquivos ao estudo de inteligência altamente secreto sobre OVNIs, de codinome Projeto Condign, e também liga tudo ao incidente da Floresta de Rendlesham.
A história começou com a liberação do relatório final do Projeto Condign, em maio de 2006.  Esteja ciente que, diferentemente de vários documentos MJ-12, a origem deste relatório não é questionada – você pode até mesmo lê-lo no site governamental do Reino Unido.  O documento original foi classificado como ultra secreto e um trecho intrigante diz o seguinte:
“O evento bem relatado de Rendlesham Forest/Bentwaters é um exemplo onde poderia ser postulado que vários observadores foram provavelmente expostos à radiação UAP por períodos mais longos do que períodos de avistamentos normais.”
UAP é a abreviatura para Unidentified Aereal Phenomenon (em português, Fenômeno Aéreo Não Identificado), um termo que alguns de nós no Ministério da Defesa preferimos, ao invés de OVNI, mas irrelevantemente da terminologia, foi surpreendente o fato da imprensa e da comunidade OVNI não ter captado esta nota bombástica.  Uma pessoa a cuja parte deste documento foi de grande interesse, foi John Burroughs.  Ele e seu colega, Jim Penniston, foram as duas testemunhas da Força Aérea dos EUA que chegaram mais próximos da nave não identificada que pousou na Floresta de Rendlesham em 1980.
Burroughs e Penniston agora têm problemas de saúde, os quais eles atribuem à sua experiência.  Eles têm procurado por acesso aos seus registros médicos para que possam obter o melhor diagnóstico e melhor tratamento possíveis.  Como relevado numa coluna anterior, aconteceu que estes documentos foram apreendidos por uma seção de registros secretos pouco conhecida do Departamento de Assuntos para Veteranos.  Pat Frascogna, um advogado que tem feito um trabalho pro-bono em nome de John e Jim, submeteu vários pedidos através do Ato de Liberdade da Informação (Freedom of Information Act - FOIA), a fim de avançar no caso.  As respostas foram, no mínimo, inúteis.  A CIA não confirmou, nem negou que eles tiveram quaisquer registros relevantes, enquanto do Departamento de Estado sugeriu que Frascogna contactasse a Força Aérea.  Apesar destas respostas, com um possível processo judicial federal vindo, a citação explosiva do Projeto Condign parece ser a prova necessária para abrir os fatos.
Obviamente, John Burroughs queria saber mais.  Afinal, uma avaliação num estudo de inteligência altamente secreto não aparece do nada.  Ela é baseado na análise dos dados.  Assim, Burroughs começou a fazer pedidos através do FOIA, não como Pat Frascogna havia feito para as agências governamentais dos EUA, mas para o Ministério da Defesa do Reino Unido.  Ele desafiou as decisões que levaram à ocultação de partes do relatório final do Projeto Condign, onde algumas das informações ainda estão sendo retidas sob isenções do FOIA, que cobrem áreas como a defesa, segurança nacional e inteligência.  Burroughs também foi atrás de alguns documentos de apoio, os quais ele suspeitava estavam lá.  Onde estavam os bancos de dados, a documentação em papel dos trabalhos, os resumos do histórico, os registros de reuniões, os rascunhos e as notas escritas à mão que são tanto parte da história quanto o relatório final?
Provavelmente alguns dos materiais que Burroughs requereu nunca chegarão ao público, pois com certeza ainda são secretos e/ou sensíveis.  Essencialmente, apesar do Projeto Condign ter sido comissionado pela Equipe de Inteligência do Ministério da Defesa, ele na verdade foi assumido por uma empreiteira de defesa.  Esta foi uma tática deliberada, com a dupla vantagem de estudar de forma aprofundada fora do escopo, tanto da visão Parlamentar, como do FOIA.  Assim, embora documentos relacionados ao comissionamento do estudo (inclusive alguns que eu escrevi!) terem sido liberados, foi porque eles eram documentos do MoD.  E, apesar de uma cópia censurada do relatório final também ter sido liberada, isto é porque o MoD se tornou o ‘proprietário da informação’.  Mas todas estas ‘coisas pelo meio’, as quais poderiam mostrar como chegaram às conclusões no relatório final,  são informações pertencentes à empreiteira de defesa, e não estão cobertas pela FOIA.  O público não pode se certificar sobre o que este material isento da FOIA diz, mas uma cuidados leitura do relatório final revela que uma recomendação chave está relacionada às “várias inovadoras aplicações militares” (particularmente o desenvolvimento de uma arma de energia direta), a qual poderia resultar num melhor entendimento do fenômeno dos OVNIs.  A aquisição de tecnologia é quase que certamente a razão para o segredo neste caso.  Houve – e provavelmente ainda há – uma corrida para tornar esta tecnologia em armamento, e o relatório final do Projeto Condign coloca esta situação exatamente com estas palavras.  Novamente, a imprensa e a comunidade OVNI falhou em ver o que estava escondido na frente dos olhos de todos.
Apesar disto, a persistência de John Burroughs forçou o MoD a admitir que a liberação dos arquivos em junho de 2013 não envolveu, como eles alegaram na época, os últimos arquivos OVNI.  Dezoito outros artigos foram localizados, inclusive os arquivos de política da Equipe de Inteligência de Defesa, e arquivos do Diretorado de Defesa Aérea – uma divisão de políticas de centros de operações cuja equipe é composta por especialistas em radares. Assim, quando, em algum momento de setembro de 2015, estes 18 arquivos adicionais forem liberados, seria bom lembrar o porquê deles terem sido liberados.  Não foi devido a imprensa, ou a comunidade OVNI, mas sim graças a um militar tenaz aposentado que acabou sendo envolvido no mais significante evento OVNI desde Roswell, e simplesmente queria algumas respostas.
E para terminar, apesar da comunidade OVNI ainda não ter obtido uma ‘espaçonave num hangar’ como prova, vamos dar uma última olhada na citação bombástica do relatório final do Projeto Condign: “Vários observadores provavelmente foram expostos à radiação do UAP” – lembre-se que isto foi citado num estudo ultra secreto do Reino Unido, sobre o fenômeno que o MoD disse ao Parlamento do Reino Unido, à imprensa e à população que não tinha “significância para a defesa“.  Ironicamente, a liberação do relatório final do Projeto Condign, por si própria, acaba com a mentira de que os OVNIs não sejam de “significância para a defesa“.  Por que?  Porque na época que o documento foi escrito, “Segredo” era definido como informação que iria, por exemplo, “aumentar a tensão internacional”, “danificar seriamente as relações com governos amigos”, ” ameaçar diretamente a vida”, ou “causar sério dano à efetividade operacional ou à segurança do Reino Unido ou das forças aliadas, ou a continuada efetividade da altamente valorizada segurança ou das operações de inteligência“.  Evidente por si mesmo, é tolice sugerir que estes tipos de definições poderiam alguma vez ser aplicadas ao tópico de “sem significância para a defesa“.  Se os OVNIs não forem genuinamente “de significância para a defesa“, o MoD não teria despendido 50 anos pesquisando e investigando o fenômeno, não teria comissionado um estudo de inteligência altamente secreto sobre o assunto, e não teria carimbado no relatório final do estudo com sendo ‘ultra secreto’.
- Nick Pope