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Fabricando oxigênio em Marte



Desenho do jipe Mars 2020, a ser enviado pela Nasa a Marte no fim da década


O anúncio acaba de ser feito pela Nasa: o próximo jipe robótico a ser enviado a Marte pela agência espacial americana levará um instrumento para produzir oxigênio a partir do gás carbônico da atmosfera daquele planeta. Trata-se de um teste fundamental de tecnologias que serão necessárias para futuras missões tripuladas ao planeta vermelho.

Se você for pensar bem, não é nada que se aproxime de transmutação alquímica. Gás carbônico é CO2; oxigênio é O2. Transformar um no outro exige apenas retirar o carbono do caminho. As plantas fazem isso rotineiramente na Terra, consumindo CO2 e água e emitindo O2, via fotossíntese. Funciona.

A sacada do instrumento da missão Mars 2020 (que, adivinhe só, está marcada para 2020) é realizar esse processo sem o envolvimento de formas de vida, promovendo a produção de oxigênio só por meios químicos. Até havia uma proposta para levar plantas a Marte nessa missão, mas ela acabou não sendo escolhida pela Nasa — talvez com medo de levar a uma contaminação do planeta vermelho com formas biológicas terrestres (uma sábia precaução, não só do ponto de vista ético como também para não atrapalhar a busca por vida alienígena naquele mundo).

O aparato, chamado MOXIE (de Mars Oxygen In-Situ Resource Utilization Experiment), está sendo desenvolvido no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e meio que dá o tom do futuro do programa americano de exploração marciana — a promoção da futura visita de astronautas ao planeta vizinho. Caso seja possível produzir oxigênio diretamente em Marte, fica mais prático promover uma missão dessa natureza. Afinal, além de servir à respiração, ele é um importante componente na queima de combustível para a decolagem no retorno à Terra.

Além do MOXIE, o jipe da missão Mars 2020, que é baseado na carcaça do rover Curiosity, já em Marte, tem outros seis instrumentos:

- Mastcam-Z, um sistema de câmeras panorâmico e estereoscópico (3D) com a capacidade de zoom.

- SuperCam, instrumento que produz imagens, analisa composição química e faz mineralogia. Ele será capaz de buscar compostos orgânicos na poeira do solo marciano.

- PIXL, um espectrômetro de fluorescência de raios X que também poderá determinar a composição elementar da superfície marciana.

- SHERLOC, dispositivo focado na busca por compostos orgânicos, ele é um espectrômetro Raman de laser ultravioleta — o primeiro a ir a Marte.

- MEDA, um conjunto de sensores que medirá temperatura, velocidade e direção do vento, pressão, umidade relativa do ar e tamanho e forma dos grãos de poeira.

- RIMFAX, um sistema de radar penetrante para investigar o subsolo do planeta vermelho.

Esses foram os sete instrumentos, de 58 propostos — um recorde para a agência espacial americana. E a missão, apesar de financiada pela Nasa, é essencialmente internacional, com participação importante de franceses, espanhóis e noruegueses no design dos instrumentos embarcados no jipe. O plano de longo prazo da agência americana é promover viagens tripuladas a Marte no fim da década de 2030. Não há, contudo, planos firmes para isso. Por ora, o trabalho está concentrado numa visita de astronautas a um asteroide que será capturado por uma sonda não-tripulada e colocado em órbita da Lua.

FONTE: http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/